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Dachau, a cidade em que o turismo não traz sorrisos


Dachau

Dachau é uma bela cidade da região metropolitana de Munique. Como uma boa cidade alemã possui um sistema de transporte estruturado, bairros planejados e é bem arborizada, entretanto os seus turistas não possuem o mesmo sentimento de contentamento e alegria que os turistas sentem quando estão no alto do Pão de Açúcar ou Torre Eiffel. O campo de concentração de Dachau foi um dos primeiros a serem construídos e serviu de “modelo” para os campos de concentração seguintes, inclusive Auschwitz.


Começamos o passeio pegando um trem interurbano na Munich Main Train Station (Munich Hauptbahnhof), o trem fica no subsolo da estação. As escadas no norte da estação dão acesso ao trem S2 (verde), antes do embarque compramos os tickets (¢ 5,00), a plataforma digital de compra solicita o local de destino, a precificação do transporte público de Munique tem o sistema que não gostamos muito, cada zona tem seu preço e cada deslocamento teu seu preço, certifique que está com o preço certo para não ser multado (¢ 60,00). Receosos se estávamos com os ticktes certos perguntamos a uma senhora se os bilhetes eram válidos para o destino de Dachau, para nossa surpresa a senhora respondeu: I don’t speack English! Ich spreche ein wenig Deutsch! E também falo português! Não esperávamos uma senhora portuguesa ali naquele momento, o que foi uma surpresa. A senhora afirmou cinco vezes que estávamos com os bilhetes certos, se apresentou, falou aonde morava, quanto tempo estava morando em Munique e nos contou parte de sua história, era nítido no seu entusiasmo que estava feliz por falar com alguém que fala a mesma língua materna, depois de agradecer as informações solicitadas seguimos para Dachau (22 min), a partir daquele momento estávamos torcendo para não solicitar nenhuma informação a qualquer cidadão de Dachau, pois sabíamos que não é de bom grado que um alemão fala de informações de campo de concentração e isto é compreensível.


Chegando em Dachau todos os turistas que estavam no trem seguem intuitivamente para o terminal na lateral da estação a fim de embarcar no ônibus (726 - ¢ 1,70 – verificar se seu bilhete do trem já possui integração) para Dachau Concetration Camp Memorial Site, o bilhete pode ser comprado com o motorista.


Na entrada a esquerda no Campo de Concentração possui banheiros, cafeteria e o guichê para alugar um audioguia, um documento deve ficar como garantia, sem este audioguia a sua experiência não será completa.


Dachau

No portal do campo de concentração a águia e o símbolo nazista foram removidos, mas a energia negativa parece que permaneceu no local, a temperatura fria e a neblina do dia tornavam o ambiente tenebroso. Todos os barracões originais foram demolidos pelos americanos, entretanto os dois primeiros foram reconstruídos com os mesmos moldes para que a história jamais fosse esquecida. Os barracões de Dachau serviram de modelos para os outros campos de concentração, foram projetados inicialmente para 60 pessoas, possuíam prateleiras individuais e pequenos armários individuais, no entanto, quando começaram chegar mais prisioneiros o que foi projetado para 60 pessoas, adaptaram para 100 pessoas, depois centenas no mesmo local, na década de 40 já não tinha lugares para tantos prisioneiros, os próprios prisioneiros se organizavam para colocar os anciões e os doentes nas beliches enquanto os outros dormiam no chão frio. Com a concentração de pessoas e péssimas condições sanitárias as doenças infectocontagiosas ficavam incontroláveis, a “solução encontrada” pelos nazistas para o controle epidêmico era eliminar esses prisioneiros.


Quando o campo de concentração foi criado os nazistas sustentavam que o motivo dos prisioneiros estarem naquele local é para que pudessem entender que o trabalho enobrece o homem e precisavam aprender a trabalhar verdadeiramente, uma psicologia barata que não fazia efeito. Os prisioneiros da década de 30 sofriam punições severas por atrasos no trabalho, cama mal arrumada ou algo que os carcereiros achassem “pertinentes”. Anos depois, com excesso de pessoas, epidemias e falta de alimentos, as torturas foram substituídas por mortes. A sensação de caminhar pelo pátio, dentro dos barracões, nos corredores entre os pavilhões era extremamente angustiante, pois antes da viagem pesquisamos sobre o lugar e ver todo aquele cenário idêntico ao das fotos, nos fez imaginar um pouco melhor de como eles sofreram, não gostaríamos de ser repetitivos, mas como dissemos no início a energia naquele local era muito pesada, achamos que nunca seremos capazes de dimensionar o tamanho da tristeza e da vergonha de tudo que o ser humano é capaz de fazer com seus semelhantes.


Frequentemente, médicos provenientes de Berlim faziam experimentos com fins científicos e farmacológicos em humanos, o que talvez tenha influenciado na evolução científica farmacológica que temos hoje.


Seguindo a caminhada chegamos em um pequeno prédio onde funcionava o crematório que com o passar do tempo tornou-se insuficiente para a demanda, à vista disso, foi necessário construir um crematório maior para suprir a demanda, os nazistas contrataram uma empresa especializada em padarias para construir fornos crematórios maiores, modernos e eficientes.


Não sendo suficiente as maneiras de execução já utilizas, uma engenhosidade foi elaborada, a câmara de gás, os prisioneiros tinham uns minutos de deleite ao receber a promessa de um banho higiênico e revigorador, toalhas e sabonetes eram entregues. Logo após receberem as toalhas e sabonetes os prisioneiros eram conduzidos para uma sala ao lado com a descrição “brausebad” que indicava ser um lavatório com várias duchas instaladas no teto. Ao entrarem no que supostamente era o lavatório, um gás era emitido por baixo e as duchas que na verdade eram fake não saia água alguma, em pouco tempo todos eram mortos. Um trabalho de desintoxicação era realizado após o processo. Uma das narrativas que mais nos emocionaram foi o fato do banho ser para eles um contentamento em meio a tribulação que viviam naquele mundo de horrores. O que eles não sabiam era que aquele banho representava o fim do sofrimento deles para sempre. O audioguia informa que aquela câmara de gás foi somente utilizada para testes, mas nos vídeos e fotos feitas pelos americanos mostram centenas de uniformes de prisioneiros ao lado do prédio, o que indicava que os donos dos uniformes haviam sido executados no local, além disso, foram encontrados frascos de pó de cianureto utilizado para gerar a fumaça letal e promover a intoxicação em massa. Ao entrar na câmara de gás passamos por outro momento bastante angustiante, mais um momento em que pensamos nas milhares pessoas que perderam suas vidas. O local é a definição da palavra sombrio. Paredes arranhadas por "unhas desesperadas" e muito sofrimento... Este é o último local e final do roteiro, local que foi o final do sofrimento de muitas vidas. Embora as pessoas chamem Dachau de lugar turístico, não conseguimos considerá-lo deste modo, mas sim, um local de reflexão.


Ao sair pelos portões de Dachau, ninguém sai a mesma pessoa! E sabemos que muitas vidas saíram desses Portões Frios de Dachau para os Portões Celestiais.


Portorizenhos: Renan Verli e Pamela Verli

Viagem realizada em NOV2019

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